Produzir conteúdo não deveria significar procurar qualquer ideia apenas para manter as redes sociais atualizadas.
O objetivo é transformar o melhor do seu conhecimento em informações úteis, relevantes e interessantes para quem está do outro lado.
Para fazer isso com consistência, não basta criatividade. É necessário construir um sistema baseado em quatro pilares:
- estratégia;
- organização;
- constância;
- distribuição.
1. Estratégia: defina o que sua marca quer comunicar
Antes de escolher o formato de uma publicação, é preciso definir a mensagem.
Uma marca precisa ter clareza sobre:
- o que faz;
- como faz;
- por que isso importa;
- com quem deseja criar um relacionamento.
Muitas empresas conseguem explicar seus produtos e serviços. Algumas também sabem apresentar seus diferenciais. Porém, poucas deixam claro por que existem e por que alguém deveria escolher criar uma relação com elas.
É esse entendimento que ajuda a construir um posicionamento capaz de atrair os clientes certos.
Uma mensagem pode ser apresentada de várias formas
Ter uma linha editorial não significa repetir exatamente o mesmo conteúdo. Significa comunicar uma mensagem central por diferentes ângulos, formatos e canais.
Uma mesma ideia pode se transformar em:
- artigo para blog;
- vídeo para YouTube;
- carrossel para Instagram;
- episódio de podcast;
- e-mail;
- mensagem para WhatsApp.
Cada canal também pode cumprir uma função diferente.
Os canais de atração, como blog, YouTube, Instagram e podcast, ajudam novas pessoas a encontrarem a marca.
Os canais de conexão, como Instagram, e-mail, Telegram e WhatsApp, ajudam a aprofundar o relacionamento.
Já o e-mail e o WhatsApp também podem ter um papel importante nos momentos de oferta e venda.
Isso não significa que sua marca precisa estar em todos os lugares. A escolha deve considerar onde a audiência está e quais formatos você consegue produzir com qualidade.
É melhor trabalhar bem alguns canais do que manter uma presença fraca em todos eles.
2. Organização: conteúdo não pode depender da inspiração
Antes de produzir qualquer conteúdo, responda a três perguntas:
- Sobre o que vamos falar?
- Para quem esse conteúdo será direcionado?
- Qual objetivo ele precisa cumprir?
Sem essas respostas, o calendário editorial se torna apenas uma lista de publicações. Com elas, passa a funcionar como uma ferramenta estratégica.
Os três tipos de conteúdo que uma marca precisa
De modo geral, todo conteúdo pode cumprir uma destas três funções: atrair, conectar ou vender.
Conteúdo de atração
É o conteúdo que ajuda novas pessoas a encontrarem a marca.
Ele pode:
- resolver um problema;
- ensinar algo importante;
- responder uma dúvida;
- despertar curiosidade;
- entreter.
Tutoriais, listas, dicas rápidas, comparações, curiosidades e conteúdos educativos são alguns exemplos.
Conteúdo de conexão
É o conteúdo que aproxima a marca da audiência.
Ele pode gerar conversa, identificação e compartilhamento, além de mostrar as pessoas, histórias e ideias que existem por trás da empresa.
Bastidores, reflexões, enquetes, histórias e experiências reais costumam funcionar bem nessa etapa.
Conteúdo de vendas
É o conteúdo que apresenta uma solução e conduz a audiência para uma decisão.
Ele pode:
- apresentar um produto ou serviço;
- criar desejo;
- explicar benefícios;
- quebrar objeções;
- demonstrar resultados;
- convidar para uma ação.
Estudos de caso, depoimentos, demonstrações, comparações e respostas para dúvidas frequentes são exemplos desse tipo de conteúdo.
Uma estratégia equilibrada precisa combinar as três funções.
Atrair sem conectar gera uma audiência distante. Conectar sem vender gera relacionamento sem resultado. Vender o tempo inteiro transforma a comunicação em um catálogo.
Como encontrar ideias de conteúdo
As melhores ideias geralmente estão nas dúvidas dos clientes, nos comentários, nas conversas e nos problemas que aparecem com frequência.
Algumas fontes de pautas são:
- perguntas frequentes da audiência;
- comentários nas redes sociais;
- conversas com clientes;
- enquetes e caixas de perguntas;
- grupos e fóruns;
- notícias e tendências;
- palavras-chave;
- conteúdos que já tiveram bons resultados.
Ferramentas como Google Trends, AnswerThePublic, Ubersuggest, Google Search Console e YouTube Analytics também podem ajudar a identificar temas relevantes.
No entanto, essas ferramentas apenas oferecem sinais. Cabe à marca transformar essas informações em conteúdos relacionados ao seu posicionamento.
Um assunto pode gerar muitos conteúdos
Quando um tema funciona, não é preciso abandoná-lo imediatamente. Ele pode ser explorado por diferentes perspectivas:
- o que é;
- como funciona;
- por que utilizar;
- quais são os benefícios;
- quais são os erros mais comuns;
- quais dúvidas costuma gerar;
- quais ferramentas podem ajudar;
- como aplicar na prática.
Repetir um assunto não é um problema. O problema é repeti-lo sem acrescentar uma nova perspectiva.
Como montar um calendário editorial
Um calendário editorial não precisa ser complicado. Ele precisa indicar o que será produzido, quando será publicado e qual objetivo aquele conteúdo deve cumprir.
O processo pode ser dividido em três etapas.
1. Crie um banco de ideias
Registre tudo o que surgir, mesmo que algumas ideias ainda não pareçam boas.
Você pode utilizar:
- Notion;
- Trello;
- planilha;
- bloco de notas;
- Google Calendar;
- agenda;
- post-its.
A melhor ferramenta não é necessariamente a mais completa. É aquela que você realmente consegue manter atualizada.
2. Marque os acontecimentos importantes
Inclua no calendário:
- campanhas;
- lançamentos;
- datas comemorativas;
- eventos;
- feriados;
- viagens;
- períodos de maior demanda.
O planejamento também precisa considerar a rotina de quem produz o conteúdo. Um calendário impossível de executar não organiza o trabalho, apenas cria frustração.
3. Planeje as próximas semanas
Não é necessário deixar todos os conteúdos prontos com meses de antecedência. No entanto, é importante saber o que precisa ser feito em seguida.
Quando os temas são definidos antes, sobra mais energia para escrever, gravar, revisar e publicar.
3. Constância: escolha uma frequência possível
Não existe uma frequência ideal para todas as marcas.
A melhor frequência é aquela que pode ser mantida sem comprometer a qualidade e sem sobrecarregar a rotina.
É mais eficiente publicar menos com regularidade do que publicar todos os dias durante algumas semanas e depois desaparecer.
Para manter a constância:
- planeje com antecedência;
- mantenha um banco de ideias;
- deixe alguns conteúdos adiantados;
- produza em blocos;
- aproveite temas que já funcionaram;
- acompanhe as dúvidas da audiência.
Produza em blocos
Alternar entre várias tarefas durante todo o dia consome tempo e energia. Por isso, pode ser mais eficiente reunir atividades semelhantes.
Em um momento, você pesquisa. Em outro, escreve. Depois, grava, revisa e programa.
Esse processo reduz interrupções e ajuda a aproveitar melhor o tempo disponível.
4. Distribuição: faça um conteúdo render mais
Um bom conteúdo não precisa terminar depois da primeira publicação.
Um artigo pode se transformar em:
- carrossel;
- vídeos curtos;
- sequência de stories;
- e-mail;
- enquete;
- publicação no LinkedIn;
- roteiro para podcast;
- resposta para uma dúvida frequente.
Uma aula, apresentação, entrevista ou conversa com cliente também pode gerar diversos conteúdos.
Isso não é falta de criatividade. É uma forma inteligente de aproveitar o conhecimento e o trabalho já produzidos.
Atualizar também é produzir
Conteúdos antigos podem ser revisados, atualizados e publicados novamente.
Talvez alguma informação tenha mudado. Talvez você tenha novos exemplos. Também é possível que uma parte da audiência nunca tenha visto aquele material.
As pessoas não acompanham todas as publicações de uma marca e dificilmente memorizam uma mensagem depois de vê-la apenas uma vez.
Quando bem trabalhada, a repetição fortalece o posicionamento e aumenta a lembrança da marca.
A estrutura básica de um bom conteúdo
Um conteúdo que pode ser adaptado para diferentes canais costuma ter três elementos principais:
Um título atraente
O título deve apresentar um problema, uma promessa, uma curiosidade ou um benefício.
Uma introdução que desperte interesse
O início precisa mostrar rapidamente por que aquele assunto é relevante para a audiência.
Uma chamada para ação
O conteúdo deve indicar um próximo passo, como comentar, compartilhar, salvar, acessar outro material, entrar em contato ou conhecer uma oferta.
A regra do um
Para manter a mensagem clara, cada conteúdo deve trabalhar principalmente:
- uma ideia;
- uma emoção;
- uma história;
- um benefício;
- uma ação.
Quando uma publicação tenta dizer muitas coisas ao mesmo tempo, cada uma delas perde força.
Manter o foco não torna o conteúdo superficial. Pelo contrário, facilita a compreensão e aumenta as chances de a mensagem ser lembrada.
No fim, produzir conteúdo não significa apenas publicar com frequência. Significa atrair as pessoas certas, construir relacionamento, fortalecer a confiança e preparar o caminho para a venda.
Mais importante do que a quantidade de publicações é entender o que cada uma delas está ajudando a construir.
